Episódio 002 – 5 etapas para considerar antes do doutorado


“Dedique-se ao seu objetivo e avance com coragem.”

Essa frase foi dita pelo cientista indiano, e Prêmio Nobel de Física, Chandrasekhara [Venkata Raman]. Mas você pode ter encontrado esse conselho ou outros do mesmo tipo de pesquisadores do seu departamento e em citações inspiradoras pela internet. E por mais que seja de fato um conselho muito válido, há outros aspectos interessantes a serem considerados quando vamos comprometer parte das nossas vidas a um doutorado.

É nossa responsabilidade escolher, elaborar e apresentar os resultados do nosso trabalho. Mas muitas vezes a nossa inexperiência e a falta de diálogo com os nossos pares podem nos dar a impressão equivocada de que uma tese bem sucedida depende apenas da nossa capacidade técnica e intelectual. Por isso precisamos entender quais são as variáveis do trabalho científico. Vamos começar por questões diretamente ligadas a como será medida a qualidade da sua tese.

#1 – Impacto

O conhecido e polêmico fator de impacto! Quanto mais relevante for o tema da sua pesquisa, maiores são as chances de mais gente estar interessada por ela. E, por consequência, maiores são as chances de publicá-lo em revistas com alto fator de impacto. Essas revistas basicamente garantem um elevado número médio de leitores para o seu trabalho.

Então, quando escolher o seu tema, se pergunte: esse tema é relevante hoje? Cientistas lerão o meu trabalho?

Existem infinitas perguntas intrigantes na ciência e que valem a pena serem respondidas. Mas nem todas são relevantes ao mesmo tempo na História (História aqui com agá maiúsculo). Portanto,

  • faça pesquisa bibliográfica antes de escolher seu tema;
  • se for o caso, coloque na balança os riscos de dedicar-se a um tema obscuro;
  • e lembre-se que ciência é para ser compartilhada! Se ninguém vai ler, será que vale a pena?

#2 – Publicar! Publicar! E publicar!

O número de artigos que o seu trabalho gera é um dos fatores mais importantes na hora de medir a sua capacidade como cientista. Isso é injusto? Insuficiente? Enviesado até? Possivelmente. Mas esteja ciente o mais cedo possível de que essa será uma das métricas que usarão contra ou ao seu favor quando você procurar por oportunidades no meio científico.

Dicas: procure saber antecipadamente a média recomendável de publicações na sua área de atuação. Em seguida, compare com a média de publicações que a sua ou seu supervisor de doutorado tem. E o número de publicações que eles têm com estudantes. Note que os números podem ser distintos. E se forem, procure entender o porquê.

Falaremos um pouco mais sobre escolha de supervisores depois de falarmos sobre…

#3 – Escolha de instituição

Essa questão tem que ser vista em partes: curso de pós-graduação versus supervisão de doutorado. Aqui a dica é simples: procure por instituições com conceitos altos. Se forem cursos brasileiros, procure pelos que tenham conceitos na CAPES de 7, 6 e 5, respectivamente, sendo 7 e 6 considerados de padrão internacional.

#4 – Escolha de supervisão

Como dito, combine a escolha da instituição com a escolha de supervisão. Procure saber como as métricas da supervisora ou do supervisor se comparam na área de atuação conforme:

  • número de publicações;
  • número de publicação com estudantes;
  • fator de impacto das revistas que publica;
  • conhecimento no seu tema de tese;
  • conhecimento e acesso às técnicas que você precisa para elaborar a sua tese, se esse for o caso.

Agora, nada disso fala sobre a compatibilidade entre a forma de trabalho do seu potencial supervisor ou supervisora com você. Por isso, a dica mais importante é:

entre em contato com pessoas que já trabalharam com ele ou ela!

Isso é muito importante! São as pessoas que já trabalharam e não trabalham mais com seu potencial supervisor que podem te dar um feedback mais preciso das implicações pessoais e profissionais de trabalhar com esse profissional.

Antes de você encerrar, eu tenho mais uma questão.

#5 – Econômica

Qualquer que sejam as suas razões ideológicas ou pessoais, não vamos discutir sobre porque você quer fazer doutorado. Isso é com você. Apenas lembre-se de refletir, periodicamente, sobre o conjunto de técnicas e habilidades que você está adquirindo durante o doutorado. Por exemplo:

  • se elas estão atualizadas para o mercado de trabalho que você quer entrar, seja academia ou indústria;
  • o quanto as técnicas e habilidades são transferíveis para outras carreiras;
  • se você está desenvolvendo adequadamente soft skills, as habilidades suaves;

por aí vai.

Aqui a questão é de uma certa forma simples ao mesmo tempo que fundamental: como a sua titulação impacta na sua empregabilidade, seja na área acadêmica, governamental, sem fins lucrativos, ou em indústria. Não importa qual será o seu futuro. Você tem como aprender e se preparar para transferir conhecimento e habilidades para carreira que você quer!

Apesar de ainda ser considerado parte da formação educacional, o doutorado difere de todas as outras etapas por suas componentes de responsabilidade pessoal e social que exigem reflexão cuidadosa. É recomendável que você entenda o mínimo dos contextos social e econômico envolvidos no doutorado. Quanto melhor você entender os custos sociais e econômicos da sua titulação, mais fácil será navegar pelo seu curso e na vida após doutorado. Nós vamos discutir quanto vale o doutorado em um próximo episódio. Por hora, vamos encerrar esse episodio com outra citação inspiradora, dessa vez do escritor britânico Oscar Wilde:

“Sucesso é uma ciência; se você tem as condições, você obtém os resultados.”

Se você quiser discutir sobre o seu caso em particular, entre em contato pelo meu site.

Meu nome é Josephine Rua e você ouviu o podcast Dotôrando em josephinerua.org.


Music: Right Place, Right Time – Silent Partner https://youtu.be/mcVEobrErMM

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